sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Vingança para ser entregue.


"Não tenho nada a escrever
Tudo que me descreve está morto
O sangue, a vida, o ser
O vento, o azul, o suave,
As estrelas que dançavam em meio à você.
Dura e cruel realidade.

Minh’alma não pulsa mais como antes
Tornei-me marionete do simples e do cotidiano.
Criatura Patética, medíocre e senil
Dominado pelo sistema automático e sistemático
Ateu e teocrata em mistura, maldito em química vil.

A poesia me gagueja aos ouvidos
Soa-me como chacota e deboche,
Se som tivesse, diria: é soneto de mágoa.
Nem vinho, nem dança me agradam
Ao contrário do milagre, se desvirginam e se prostituem,
Deformam-se em água.

A caneta que me escapa às mãos,
A sanidade louca que se esfumaça num devaneio.
Envolvo-me num mundo desconhecido do meu.
A vida real me enforca, me sufoca verdade e constância, medo.

Até quando terei que suportar essa dor.
Dor do belo devorado
Pelo pó cinza da razão, do sim senhor, do não senhor.
Será que tudo que antecedeu foi em vão e sem meta
Arma obsoleta na mão do soldado
Pena sem tinta e morta, na mão aleijada do poeta."

Despertar ao avesso - Cristiano Martins.


Lido em voz baixa é imperdoável não poder escrever a voz, em qual sílada falha, se espera a vírgula... Quando o poeta é vizinho a gente tenta adivinhar isso dele na gente. Então me esforço nas aspas, embora pareça um pedaço dormente meu pegando ritmo de letras. E aplaudo assim, gritado; é meu troco.


quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Enfim, nós. E a "Claudinha".


" Eu sou sempre cinco anos na frente; eu já começo sofrendo com o fim, eu tiro a roupa com o gosto meio vazio de resgatar as peças pelos cantos depois. Eu vivo o luto de tudo, antes mesmo de comprar uma roupa colorida pra curtir que você foi embora ontem, lá de casa, querendo voltar. Eu sei que você quer voltar. Eu sei que serei feliz por cinco anos até a porra da Claudinha aparecer. Aquela vaca. "



gamadona em literatura de mulherzinha e, vez ou outra, invejo a "Claudinha"... e se tiro o preto do luto volto a me sentir só um papel de parede bege que ninguém entende pra que serve.


segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Quando ser medíocre é ser bonito.


Assumi: quando a gente atinge a idade de brincar de ser adulto é inevitável aprender de medíocridade. E eu não tenho que fazer muito esforço nesse jogo, não. Em cima do muro a gente consegue equilíbrio, pô. O que vale é não errar e eu não sei quem ditou isso. Eca! E assim a gente acerta menos.
Bom, narro um capítulo da minha novela particular vivenciada: eu, na minha qualidade (ou não) de criatura média (não de estatura, claro. nisso eu sou micro mesmo) me submeti, mais uma vez, a um teste de habilidade, pra engatar num projeto que sempre desejei. Só que pra esse projeto sair do rabisco, pra eu passar pela outra fase além teste, eu tenho que ser mais, very mais, que mais ou menos. Enfim, terceira guerra mundial!
Atrasada pro teste, tomei um táxi, pedi ao motorista que dirigisse o mais rápido possível (bancando a star atarefada), porque eu, claro, acordei mais ou menos dentro do tempo que precisaria pra chegar no meu destino daquela manhã tensa de domingo. O tal motorista tentou parecer obediente (leia-se: não conseguiu acelerar propositalmente). Pois, como de praxe nessa profissão, falou sobre o tempo, sobre o tráfego... E quase o vi se mostrar decepcionado quando descobriu que não teria um ouvido disponível por mais de dois ou três km.
Já chegando ao meu destino, como não poderia ser diferente, lembrei de ter esquecido em casa o meu documento de identificação. Me emburreci. Não por tá lisa (pra variar) e ter que pagar duas vezes o caminho com a bandeira dois do domingo... não. E sim, por saber que iria ouvir o número de filhos dele, ouvir reclamações sobre o último jogo do Fortaleza e principalmente o etc. Isso se eu não tivesse peito pra mandá-lo calar. A coragem quase me veio, porque todo o blá, blá, blá acontecia enquanto meu cérebro projetava em tudo as imagens das figuras geométricas dos meus quatro últimos testes tentando se encaixar.
Pro meu azar (talvez) um semáforo ficou vermelho, e eu tinha certeza que a culpa foi do tal que budejava tanto que me fez esquecer de usar, dessa segunda vez, o poder da mente pro sinal continuar no verdinho até passarmos por ele. O taxista (quando eu conseguir lembrar a graça do dito cujo, volto e refaço a postagem. Agora só consigo lembrar dos nomes das filhas - risos) me olhou como se eu fosse uma velha amiga, passou carinhosamente a mão (epaaa, seus maliciosos!) no volante e com uma aura multicor, iniciou seu desabafo que eu vou transladar aqui porque é, finalmente, onde eu quero chegar: "olha, eu tava há cinco anos sem dirigir, esse carro foi promessa de Deus. Agora tô cheio de dívidas, preocupado com os assaltos, mas tô vivo, trabalhando e de barriga cheia."
Eu, a princípio, achei aquilo o ó e a conclusão altamente clichê. Você também, né? Mas você não viu o sorrisão do cara de satisfação que me fez ir contra à minha repugnância momentânea pelos taxistas-solitários-que-precisam-conversar-miolo-de-pote-o-trajeto-inteiro-com-seus-passageiros. Logo, discretamente me identifiquei com a criatura e seu ar mediano que se contradizia por completo com seu jeito de ser feliz até o ápice! E, diferentemente de mim, ele conseguia ser um be-lo de um medíocre invejável.

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Isso é o começo do resto.



H
oje eu desisto de ser mundana

Visto a minha melhor roupa toda bordada de espiritualidade
A rotina do pretinho básico já não me cai bem
Eu só quero usar nó, nós
Nunca fui boa em desatar, gosto assim

Me dobro e desdobro aguando a minha condição de flor
E amanheço rosa com o azul celeste disso
Ouço os pálidos falando a língua do erre cifrão

Se não lhes faltasse falariam mais
Berro socialismo por um psilêncio!
Mas sem papas na íngua:
Anoiteçam vocês
Durmam pra despertar!

Acorde aquela gente pulsando, toda coração despido
Essa gente crua, chegando a ser trash mas nunca fake
Mar expectador, seja sertão...
Devolva essa quase flor pro cactus naquela terra fincado

Porque navegar tanto já voltou a me causar ânsia
Então ando vomitando tudo
Como me disse um bom alguém,
pra comer o que me serve
Provoquei, instantâneo.



domingo, 28 de setembro de 2008

Enchantagem.

­
"de tanto fazer tudo parecer perfeito
você pode ficar louco
ou para todos os efeitos
suspeito de ser verbo sem sujeito
pense um pouco
beba bastante
depois me conte direito

que aconteça o contrário
custe o que custar
deseja

quem quer que seja
tem calendário de tristezas
celebrar

tanto evitar o inevitável
in vino veritas
me parece
verdade

o pau na vida
o vinagre
vinho suave
pense e te pareça
senão eu te invento por toda a eternidade"


Paulo Leminski.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Deixo.




Sim, pode clicar. Já escrevi tanto sem resposta,
agora não calem a boca enquanto eu fecho o bico.

domingo, 20 de julho de 2008

Arrasou.




e esse útero chorando o meu sangue,
outra fato que muito me arrasa.
p.s: insuportavelmente desajustada.

sábado, 19 de julho de 2008

Luvas coloridas.

Contemplei a santíssima trindade ao entardecer: grama, agradabilíssimo tempo nublado e melodias. Tremenda harmonia, fazendo feliz outra trindade, eu não diria santíssima, tendendo pra diabólica, mas outra trindade realizada.
O consolo dos céus descendo em gotas d'água me refrescou a cuca e, não mais que fulminantemente, provocou uma sensação de, como brada Ultraje a Rigor, não poder mais viver sem mim (risos) e uma urgência de estocar o máximo que podia dessa lucidez dentro da cabeça.
Muito bem estocada - acabo de aprender a dar uma cambolhota, cá no meu tapete vermelho paixão. Que artimanha, pô! Rimo-nos, eu e meu umbigo. Aliás, nós dois temos trocado boas idéias e tenho me realizado lhe dando o máximo de atenção que posso.
Nessa tarde refletimos: não, ninguém é dono do seu próprio destino. Eu até suspeitava que sim e que era exatamente por isso que minha vida andava tão bagunçada: é que tinha uma mãozinha minha nela. Usar as duas, é o que sempre me aconselha minha confidente e adorada cavidade no meio da pança.
Mas creio, digo e repito que nada aqui é mais que uma armação coloridérrima do comandante lá de cima condutor do meu barco. Aprecio o vento nas velas, dou umas remadinhas, ponho um dedinho, mas o curso disso não é comigo. E, meu bom almirante, copiarei esse seu estoque de luvas estontiantes, caso um dia a sua pessoa precise de mais uma mãozinha minha.
Óh, sim, nunca fomos tão cumplices - umbiguinho e eu. E o que nos rege é uma gigantesca verdade: principalmente nessa relação, eu tenho recebido o produto mais bonito em troca do que tenho pago.
A vez de Móveis:
há tanto tempo eu vinha me procurando
quanto tempo faz, já nem lembro mais
sempre correndo atrás de mim feito um louco
tentando sair desse meu sufoco
eu era tudo que eu podia querer
era tão simples e eu custei pra aprender.
,)

sábado, 12 de julho de 2008

Tempo preguiçoso.

Sigo, descompassada, o compasso dos ponteiros do relógio no braço, no pulso que pulsa, desencontradamente, n'outro compasso bem mais acelerado, cronometrando o tempo e o espaço que demora e distância. Culpa do outro relógio - pirado, danado - acoplado no peito.
Olho o vigilante parado na esquina que combate o sono e vigia tão somente seu marcador de hora exigido e exigente, o compreendo. Daqui o acompanho, compartilhamos cada pausa e tic, cada pausa e tac dos instantes escravos do tempo predestinado que, fielmente, também nos escraviza.
Toca o celular, mensagens, palavras que parecem sinos, quebrando o ritmo ensurdecedor do 'cuco'. No visor digital, 0h, um dia a menos de espera. Não, não conto esse tempo sozinha. Assim consolada, por um momento esqueço hora, calendário e distância geográfica. O tempo em nossos corações passa diferente, ele é presente.
Adormeço.


Confesso:
Já querendo o depois.

sábado, 5 de julho de 2008

Tem cor.

Via telefone, cumprimentos, recordações, gargalhadas embaladas pelas das nossas novas companhias, do outro lado, movidas por geladas. Mas, além clichê, entre nós sempre algo subliminar que eu nem ouso dar um nome. Naquela hora, a impressão que eu tinha era de que cada fragmento de felicidade meu estivesse sendo pago com cada atómo dos teus pesares.
Foi uma tentativa significante, mas não deve ser assim que se afoga a coisa, a forma é super convidativa, mas no copo de cerveja a coisa só transborda, telefona. Faz uso daquele rio, ele não corre, nem sequer balança. Já sei que ele se une àquele mar, profundo, azul, vivo e blá, blá, blá... Cego no azul que me apresentas, hoje averiguei, ele não cai bem na colorida. Mas posso, amizade, te pintar de amarelo?! É a sua cor melhor, cor dos nossos brindes, do nosso astro, do nosso mel...

Amarelemos.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Óh, céus!

Naufragando cá pela internet, me deparo com centenas de textos linha 'jãobidú', um clichê que é uma sensação, lutando pra me convencer que eu sou assado e assim simplesmente porque mamãe marcou a sua cesariana pro dia e hora tal. rá!

É quase uma crise existencial, Brasil:

Okay, sou Carolina há mais de duas décadas. Perco horas pensando. Nada me deslumbra. Vivo armadilhas da modernidade, mas adoro coisas muito antigas, pessoas mais velhas. Guardo cada virgula vinda de você. Eu não te telefono, nem te visito. Prefira me visitar, você não vai gostar de me telefonar. Sempre flexível, não influenciável. Tenho paranóias - vou optar por chamar assim meu tal 'dom de ver além'. Não me encanto com bajulação. Admito, sei ser uma peste, acabar com você com maestria, mas entendo excelentemente bem e mais de te fazer o melhor. Sou desajuizada dentro do meu juízo. Estou indisciplinada. Minha intuição funciona mil vezes melhor que a minha razão. Confio na sorte, completamente seria bem cômodo, mas só mantenho a porta aberta. Sou insuportavelmente desajustada durante uma semana de cada mês. Minha inconstância é limitada. Por bastante tempo venerei, sim, um homem imensuravelmente muito e enterrei isso. Não sou frustrada no assunto, mas hoje entendo àquilo que a gente chama de 'amor' como nada além de companheirismo, afeições e conveniências, coisas que se esvaem. Amor mesmo é eterno e nada é pra sempre nesses tempos, mas queira desejar o eterno. Estou experimentando o entusiasmo da busca nunca desiludida de ser recíproca com quem me quer. Facilmente abro mão daquilo que não posso ter completamente, prefiro me doar somente àquilo que meus braços alcançam. Não, eu não amo me desgastar em grandes desafios. Ler é um bem, escrever, mesmo que palavras soltas, é uma boa maneira de expurgar meus muitos venenos e derramar meu mel, embora eu seja uma, senão a maior, pseudo-beletrista que há na univ. federal do Ceará. Meus elos familiares são maiores que eu. Aprendi que me lamentar é a melhor maneira de não resolver meus problemas, além de multiplicá-los. Tive o prazer de selecionar grande parte das minhas amizades, algumas já eternas, umas nem tanto e outras se lapidam. Você me conquista com convicção. Cantar até perder a voz, dançar até o sol sorrir é mágico. Músicas funcionam como oração nos meus dias, chocolate para os meus ouvidos, consolo tanto quanto chuva. Sol e dor de cabeça costumam andar juntos. Silencio é remédio. Recato renova. Sou um poço de saudades e sei que tudo que aqui acontece não passa de uma armação colorida dos céus.
e exagero, é.

passou.

Atenção para a previsão do dia:
você não leu isso.

Aviso aos navegantes:
Não é prudente brigar com um signo que é metade gente, metade cavalo, e a metade humana ainda está armada.
ói, maricona! (risos)

domingo, 15 de junho de 2008

Salve.

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você cospe super palavras esperando que eu me embriague
dê-me o teu sangue e ele funcionará como o meu vinho
então lhe deixo ouvir o meu canto louco, agouro mudo
entre nós, me certifico, nunca houve real reciprocidade
se debandou a coleção de poderes do super superman
e o batman lembrou à mulher maravilha que ela sabe voar
sozinha, quando prefere. o vento é uma ótima companhia
­

A sua capa de novo é o lençol, mas você vai ter que voar.

­

domingo, 8 de junho de 2008

Viva, Charlie!

Se todos fossem no mundo iguais a você, ­armador de arco-íris.
©elebro!
­
­
Piece of me:
S2

­
­
Infindos dias de céu!






domingo, 1 de junho de 2008

Não mais.

Montado numa vaquinha malhada, foi-se, levando inclusive a idéia de que eu poderia, no mínimo, receber respeito sem data de validade. No brejo.

E eu sigo. Nunca parei, nem ao perder o guidom. Mas durante um tempo eu senti meu peito, depósito subitamente esvaziado, apertar-se no meio de tanto espaço. Você levou mais do que trouxe, roubou todos os meus móveis e utensílios emocionais e provavelmente vendeu tudo em um bar qualquer por um preço bem abaixo do valor de mercado.
E como se eu estivesse caminhando em baixo d'água, tudo em volta me acontecia meio abafado. Estive completamente perdida sobre o que fazer comigo, com o meu tempo e com minha vida. Esperar por você, era só nisso que eu era boa.
Quando consegui pensar com clareza confesso que o pânico me cobriu em constatar a realidade, mas que excelente, depois de anos, me deparei com algo real vindo de você.

Já me culpei, me absolvi, depois tornei a me culpar... Mas vindo daquelas sensações insuportáveis, de um turbilhão de frustações e do silêncio do celular que não tocou, ecoou um grito de duzentos bilhões de decibéis: Te liberta, Carolina!
Desistir das coisas acontece, sim, facilmente comigo. "Deixar pra lá" não é um dos meus fortes, só depois de uma surra. E que belo Nocaute!

Já sou grandinha, é, cresci, agora muito mais e sozinha. Sozinha e agora muito mais. Sinto o gosto do que a sorte reservou pra mim. Preciso, não venha amargar, recue.

Eu pude me livrar do teu cheiro no meu corpo, do vazio das madrugadas e domingos, dos presentes e cartas recheadas de promessas... mas que difícil me livrar das pessoas perguntando sobre você, quando conto, elas ainda parecem crianças que acabaram de descobrir que papai noel não existe.

Lhe admiro, a sua pessoa quase se igualou a de Galileu que descobriu que a terra é redonda ao dizer a frase, a sua frase pra fechar com chave de romanel parecendo que lia palavras escritas no sapato: "você é muito diferente de mim". Essa, mais que outras tantas apaixonadas, tantas vezes repetidas, é a frase mais viva e que claramente ainda soa nos meus ouvidos. Agora devo dizer que você tinha toda razão, sorte da minha mãe. Em uma próxima, seja lá como for, seja mais original.

Ah, pipocas? As pipocas, aquelas pipocas, continuam doces e minhas.



Mas como eu espero teus beijos nunca mais.